
Já esperou muito tempo numa emergência do hospital? Não é só você. Ana Paula Martins é a chefe da saúde no governo. Ela disse que o SNS (Serviço Nacional de Saúde) está com a força "muito baixa". A razão é simples. Cerca de 2 800 pessoas já tiveram alta. E ficam nas camas do hospital. Não têm para onde ir. Isso cria um efeito em cadeia. Todos sentem isso. E mais ainda quem não tem médico de família.
O tamanho do problema: 14% das camas sem razão médica
A APAH (associação dos gestores de hospitais) diz o seguinte. 13,9% das camas do SNS têm pessoas que não precisam de estar lá. São 2 807 pessoas. O número subiu 19% num ano.
O custo por ano é de 351 milhões de euros. 85% destes casos estão em Lisboa e no norte. Em média, estas pessoas ficam no hospital 157 dias. No norte, ficam 239 dias.
Por que ficam nos hospitais?
Dos 2 800 doentes, cerca de 800 são "casos sociais". São pessoas sem casa ou sem família. Outros 2 000 esperam por um lugar na RNCCI. A RNCCI é a rede de cuidados de longa duração. 45% dos casos vêm da falta de lugares nesta rede. E este número cresce.
Efeito em cadeia: das camas às filas na emergência
Xavier Barreto, líder da APAH, explica. "Quando não há camas para cirurgia, as operações param. E as pessoas juntam-se na emergência." Em Lisboa, quem tem um caso urgente (não grave) espera em média 7 horas e 40 minutos.
Médicos no limite
A FNAM (federação dos médicos) acusa o governo de não ser sério nas conversas. E de cansar muito os médicos. O governo deu um extra de 40–80% no salário por horas a mais. A FNAM diz que medidas iguais em 2024 não pararam o fecho de emergências no país.
A 4 e 5 de maio, o sindicato STTS (dos trabalhadores da saúde) fez greve. A 1 de maio, médicos foram às ruas contra a "queda do sistema".
1,6 milhões sem médico de família
No fim de janeiro de 2026, 1 592 778 pessoas não têm médico de família. É quase três vezes mais do que em 2019. A chefe da saúde disse que até 2027 não será possível dar médico de família a todos.
Atenção: a partir de 10 de junho de 2026, quem não usou o SNS nos últimos 5 anos vai perder o médico de família. Isso afeta mais de 121 000 pessoas. Se não foi ao centro de saúde há muito tempo, vá lá até junho.
O que faz o governo?
O governo quer abrir 400 camas de apoio em centros sociais. As primeiras 100 vão abrir em poucas semanas. O Estado vai pagar 1 876,30 € por mês por cada cama. É muito menos do que no hospital. Até ao fim do ano, o plano é ter 800 camas. No parlamento, o PS (Partido Socialista) fala de um projeto de lei. Chama-se "Voltar a Casa". É sobre dar casa por um tempo a quem sai do hospital.
O que pode fazer
Aqui estão passos simples para poupar tempo e stress:
- Ligue para o SNS 24 (808 24 24 24) primeiro. Funciona 24 horas. Vão dizer se precisa de ir à emergência. Podem indicar outro lugar.
- Para casos urgentes e não graves, vá à consulta aberta (sem marcação) no seu centro de saúde.
- Linha de apoio para imigrantes: 808 257 257 (fixo) ou +351 21 810 61 91 (telemóvel). De segunda a sexta, 9:00–19:00.
- Ver as filas na emergência: sns.gov.pt — pode ver o tempo de espera.
- Desde fevereiro de 2026, é preciso ligar para o SNS 24 primeiro se quer ir à emergência de grávidas ou ginecologia. A exceção é risco de vida.
Cuide de si. E que precise pouco dos hospitais 💛