
As notícias sobre uma greve podem ser difíceis de entender. Isto é normal para quem vive há pouco tempo em Portugal. Este texto explica tudo. O que se sabe, o que esperar e o que fazer.
A CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses) é a maior união de trabalhadores de Portugal. A CGTP marcou uma greve geral para o dia 3 de junho (ECO). A UGT (União Geral de Trabalhadores) é a segunda maior. A UGT ainda não disse se vai entrar. Diz que a data é «cedo de mais». O líder da UGT, Mário Mourão, disse a 8 de maio: «A greve é sempre uma opção. Mas não é o momento certo» (RTP).
Mourão acha que a greve devia ser mais perto da votação no parlamento. Ele disse: «O dia 3 de junho não é o melhor. Mas no dia da votação, a greve pode fazer sentido.»
Como já foi dito, a 7 de maio as conversas sobre a reforma Trabalho XXI acabaram sem acordo. O governo vai enviar a lei ao parlamento quase sem mudanças (ECO). Em resumo: a reforma quer dar mais uso a contratos com prazo fixo. Quer tornar mais fácil despedir. E quer mudar as regras dos acordos de trabalho. As uniões dizem que isto tira direitos aos trabalhadores. É a razão da greve.
O que para durante uma greve geral
Os dados abaixo vêm da greve geral de dezembro de 2025 (RTP, HR Portugal).
⚠️ Atenção: os serviços mínimos para 3 de junho vão ser decididos à parte. Serviços mínimos são os serviços que têm de abrir mesmo na greve. Os horários podem ser muito diferentes dos de dezembro. Veja as novidades da sua empresa de transportes.
Transportes — a área mais afetada:
- Metro de Lisboa — todo fechado, sem serviços mínimos
- Metro do Porto — só algumas linhas, 4 viagens por hora
- CP (comboios) — viagens longas canceladas, viagens da cidade só 30%
- Carris (autocarros de Lisboa) — só 12 de mais de 80 linhas
- STCP Porto (autocarros do Porto) — 18 linhas, das 6:00 às 21:00
- Fertagus (comboios pela Ponte 25 de Abril) — menos viagens, só nas horas de ponta
- Transtejo / Soflusa (barcos no Tejo) — 25% das viagens, só nas horas de ponta
- TAP (companhia aérea de Portugal) — cerca de 2/3 dos voos cancelados
Escolas: em dezembro de 2025, cerca de 85% das escolas fecharam ou só abriram em parte.
Hospitais: os serviços mínimos vão funcionar. Isto quer dizer: urgências, cuidados intensivos, oncologia, hemodiálise e cuidados a doentes graves. As operações e consultas marcadas são canceladas (Renascença).
Mais: o lixo não é levado em muitas cidades. Os bancos podem não abrir.
Os seus direitos: quem imigrou também pode fazer greve
A Constituição de Portugal (artigo 57) dá o direito de greve a todos os trabalhadores. Não importa o país de origem, o tipo de contrato ou se faz parte de uma união (CGTP).
O mais importante:
- O patrão não pode perguntar se vai fazer greve
- Despedir ou castigar alguém por fazer greve é contra a lei
- No dia de greve não recebe salário. Mas o tempo de trabalho conta
- Se há pressão, pode fazer queixa à ACT (inspeção do trabalho): portal.act.gov.pt
Guia dos direitos de quem imigrou durante uma greve — leia aqui.
Como se preparar para 3 de junho
Não é preciso ter medo. Basta fazer planos com calma.
- Transportes: veja antes os serviços mínimos da sua empresa. Pense em outras opções (boleia, trotinete, bicicleta)
- Filhos: fale com alguém que fique com eles. A escola pode não abrir
- Trabalho: não precisa de dizer ao patrão se vai fazer greve
- Hospitais: mude as consultas para outro dia. As urgências vão abrir
A UGT ainda não tomou a decisão final. Se a UGT também entra, a greve vai ser muito maior. Foi o que aconteceu em dezembro de 2025.