Imigração em Portugal: números de 2024 e o que muda em 2026

Em 2024, Portugal contou 1,54 milhões de pessoas de outros países com permissão para viver cá. É quatro vezes mais do que em 2017. A Índia passou Angola pela primeira vez. O Nepal cresceu quatro vezes. A Ucrânia fica em quarto lugar. Mas há agora mais competição no mercado de trabalho.

Os cinco maiores grupos: quem vive em Portugal

Segundo o relatório da AIMA (a agência de imigração de Portugal), no fim de 2024 os números são estes:

# País Pessoas Parte*
1 🇧🇷 Brasil 484 596 31,4%
2 🇮🇳 Índia 98 616 7,4%
3 🇦🇴 Angola 92 348 6,9%
4 🇺🇦 Ucrânia ~91 000 5,9%
🇳🇵 Nepal ~30 000 ~2%

*As partes vêm do relatório da AIMA. Podem ter uma base diferente do total de 1,54 milhões. Esse total conta só permissões para viver no país.

A Índia é o país que mais cresceu. Em poucos anos, passou de 44 mil para quase 99 mil pessoas, diz o Diário de Notícias. O grupo do Nepal, segundo o Público, cresceu de 7 437 (2017) para ~30 000 (2023). O número real pode ser 50 mil. Isso inclui quem ainda espera pelos papéis.

Construção e agricultura: caras novas

Para as pessoas da Ucrânia, estes números são importantes. A construção e a agricultura eram setores onde muitas delas trabalhavam. Agora a situação mudou.

Segundo a Renascença, na agricultura, 4 em cada 10 pessoas são de fora. Indianos, bengaleses e nepaleses juntos são quase da mão de obra de fora neste setor.

Na construção, 1 em cada 4 pessoas (~25%) vem de outro país. O número cresceu 800% em dez anos, diz a Visão. Faltam 80 a 100 mil pessoas. Isto é grave por causa dos grandes projetos (novo aeroporto, ponte sobre o Tejo). As pessoas de fora na construção têm em média 33 anos. Os outros têm 42.

Proteção para a Ucrânia: válida até 2027

Agora uma boa notícia. A proteção temporária para pessoas da Ucrânia foi prolongada até 4 de março de 2027. A renovação é automática. Não é preciso ir à AIMA. Não é preciso juntar documentos.

Este estatuto dá direito a viver, trabalhar, ter saúde, educação e apoio social. Não é preciso pedir a permissão normal. Portugal recebeu cerca de 60 000 refugiados da Ucrânia. Destes, 37 000 são mulheres e 14 000 são crianças, diz o Diário da Cidadania.

E o mais importante: pessoas da Ucrânia não são alvo de deportações em massa. Em 2025, 23 134 pessoas de fora receberam ordens para sair. É um aumento de 5 080% face a 2024. Na lista: 13 466 indianos, 5 386 brasileiros, 3 279 nepaleses. Pessoas da Ucrânia não estão na lista.

Salários e risco de pobreza

A diferença de salários continua. Pessoas de fora recebem €769–781 por mês. Os portugueses recebem €902–945. São dados da Renascença. Um estudo da FFMS/Pordata mostra: 28,9% das pessoas de fora estão em risco de pobreza. Entre portugueses, são 19,2%.

O que isto significa

O grupo da Ucrânia em Portugal está num momento de mudança. Por um lado, a proteção legal é forte. O estatuto foi prolongado. Não há risco de deportação. O acesso a serviços continua. Por outro lado, o mercado de trabalho mudou. Na construção e na agricultura há agora competição com pessoas do Sul da Ásia. Elas chegaram em grande número nos últimos anos.

Para contexto: a nova política de imigração de Portugal tem um programa chamado «Via Verde». É um sistema rápido para contratar pessoas de fora. Não confundir com o sistema de pagamento nas estradas. O país contrata pessoas noutros países. O visto sai em 20 dias. Ao mesmo tempo, ter a nacionalidade ficou mais difícil. Para quem não vem de países da CPLP (como Brasil, Angola, Moçambique), são precisos agora 10 anos a viver em Portugal. Antes bastavam 6. Isto inclui pessoas da Ucrânia. Mais dados na CNN Portugal.

Investir em formação, saber a língua e ter diplomas aceites — é isto que faz a diferença. É a diferença entre viver bem no país ou apenas estar cá. O Observatório das Migrações diz: a imigração é agora o fator central na população de Portugal. O futuro de todos depende de uma boa integração.