Chega quer investigar a Operação Influencer, mas o PSD diz não

O partido Chega fez um pedido no dia 10 de maio. Pediu um grupo de investigação no parlamento. O tema é a Operação Influencer. O nome oficial do grupo é Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O PSD (o partido no poder) já disse que não vai apoiar. Sem os votos do PSD, o pedido não passa.

Explicamos o que se passa.

O que é a Operação Influencer?

Para perceber melhor: A Operação Influencer é uma grande investigação sobre abuso de poder. Em novembro de 2023, o primeiro-ministro António Costa saiu do cargo. O governo XXIII acabou. Houve novas eleições. Foi uma das maiores crises políticas da história recente de Portugal.

A 7 de novembro de 2023, a polícia fez buscas em 42 locais. Um deles foi o gabinete do primeiro-ministro. A investigação trata de três grandes planos. O primeiro: as minas de lítio em Montalegre. O segundo: o plano de hidrogénio H2Sines. O terceiro: o centro de dados Start Campus, em Sines. Há 28 acusações no total. Os crimes vão de abuso de poder a tráfico de influências.

Há nove arguidos (pessoas sob investigação). Entre eles estão Vítor Escária (chefe de gabinete de Costa), Diogo Lacerda Machado (advogado e amigo de Costa) e Nuno Mascarenhas (presidente da câmara de Sines). Costa não é arguido. O caso dele está no Supremo Tribunal de Justiça.

O que aconteceu agora?

A 27 de abril de 2026, a TVI e a CNN Portugal viram os documentos do caso. Um dos documentos é uma chamada gravada. A chamada é entre Costa e Lacerda Machado. A data: 24 de dezembro de 2022.

Em 2023, Costa disse que nunca falou com Lacerda Machado sobre o Start Campus. Mas na gravação ouve-se outra coisa, segundo o ECO. Costa fala de "boas notícias para Vítor [Escária]". Lacerda Machado diz que "o plano avança com grande força".

Costa não quis falar sobre o tema. Disse apenas: "Eu nunca tive acesso ao caso. Os jornalistas tiveram."

O que quer o Chega?

A 1 de maio, André Ventura (líder do Chega) falou da ideia. A 10 de maio, o partido entregou o pedido oficial. O grupo teria 120 dias de trabalho. O objetivo: ver se Costa e o governo XXIII agiram dentro da lei. É o que diz o Observador.

Por que é que a CPI não vai acontecer (por agora)?

Como funciona: A Constituição (artigo 178/4) dá duas formas de criar uma CPI. A primeira: votação com maioria (116 de 230 deputados). A segunda: o direito potestativo. Com este direito, 46 deputados (1/5 do total) podem pedir uma CPI sem votação. Mas cada partido só usa este direito uma vez por sessão.

O Chega tem 50 deputados. Já usou o seu direito nesta sessão. Foi para investigar os incêndios florestais. Por isso, agora precisa de maioria.

O PSD bloqueou o pedido. Disse: "A política não deve entrar no espaço da justiça." O PS (o partido de Costa) não disse nada. Mas a CPI é contra o antigo líder do PS.

O Chega só poderá pedir uma nova CPI em setembro. Nessa altura começa uma nova sessão. O partido terá um novo direito potestativo. É o que escreve o Público.

Por que é que isto é importante?

A Operação Influencer não é só mais um caso de abuso de poder. Em 2023, este caso já mudou o governo do país. As novas gravações trouxeram o tema de volta.

Nesta semana, o Chega pede a CPI sobre a Operação Influencer. Ao mesmo tempo, quer mudar a Constituição. Quer tirar a cidadania a pessoas que a receberam por naturalização. Só nesta sessão, o partido pediu mais de 20 grupos de investigação (segundo o Público). O Chega tem cada vez mais peso no parlamento.

Para os imigrantes, isto é importante. O parlamento pode mudar a Constituição. Isso pode afetar quem recebeu a cidadania portuguesa. E a instabilidade política pode trazer mudanças nas leis de imigração. Por isso, é bom seguir as notícias.


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